Saturday, January 20, 2007

A festa da Katia

Hoje foi a nossa primeira noitada, que acabou bastante cedo. Era a festa de anos da Katia, a ex-namorada do Nek, a qual me convidou para ir e levar a Andreia. O inicio da festa era encontrarmo-nos em casa dela para beber uns copos. Foi óptimo rever algumas pessoas que eu já não via à muito. Estava lá, para alem do Nek e da Katia, a Liliana (irmã do Nek), a Rute, o Vasquinho, a Sara Feio e os restantes não puderam aparecer.
Conhecemos também alguns dos amigos Portugueses deles, que são pessoas que também estão a viver em Londres, alguns à mais outros à menos tempo, e que se vão conhecendo e formando um grupo.
Fez-me sentir bem, saber que apesar de estar numa cidade estranha tenho várias caras conhecidas.

Voltámos para casa cedo, era por volta da uma da manhã, porque eles iam todos sair para uma festa transe que dura até bué.

O Nek, um desconhecido, o Jorge, a Liliana e a Katia

Thursday, January 18, 2007

Finalmente encontrei o Nek

Hoje fomos realmente à tutoria na altura certa, mas não aparecemos de manha por não ter a certeza se era preciso ir ou não mas principalmente com uma grande influencia da preguiça.

Tinha-se passado pouco tempo, desde que tivemos os briefings, por isso não poderias ter muito que mostrar. No entanto eu já tinha vários esboços para o D&AD e inclusive a primeira parte do projecto feito no computador. Para o outro projecto já tinha melhorado a minha ideia transformando-a numa proposta mais interessante. O David pareceu entusiasmado e, agora com mais tempo, deu umas ideias fixes, que por acaso já me tinham passado pela cabeça mas de uma forma ainda não muito concreta.

Mais tarde, quando saímos da escola, recebi um telefonema do meu amigo Nek (nome verdadeiro Sérgio) que está a viver em Londres à quase quatro anos, desde que saímos da etic. Encontramo-nos imediatamente para conversar um pouco.
O Nek está a estudar em Camberwell, aliás foi através dele que arranjei o contacto que me trouxe aqui. O mais estranho é que desde que chegámos que temos perguntado por ele a todos os professores, alunos e alguns funcionários e ninguém sabe quem ele é, comecei a duvidar da existência dele. LOL
A verdade é que ele já não está no curso que estamos a fazer, teve uns problemas nas burocracias para as matriculas o que o levou a desistir desse curso e inscrever-se noutro. Que na verdade é na mesma Graphic Design mas fica apenas com o bacharelato. Pelo que ele contou, o curso é de 2 anos mas acaba por ser muito mais produtivo que o de três. Tem um ensino mais intensivo, o que significa mais aulas, e fazem mais coisas. Mais tarde ele pode inscrever-se para fazer mais um ano para a licenciatura.

Engraçado como os hábitos das pessoas mudam quando se está noutro pais. O meio de deslocação que ele usa desde que chegou a Londres é a bicicleta que o leva a todo o lado. Aqui vê-se muita gente a usar bicicleta em todo o lado, faça sol ou faça chuva.

Com tanto assunto para falar convidámo-lo para jantar lá em casa, papinha feita pelo Muz o nosso cozinheiro e pasteleiro particular. Fez um acompanhamento bestial, puré de batata doce. ADOREI!!
Ele gosta muito de cozinha, especialmente durante a noite. Quando não tem sono põem-se a cozinhar coisas tipo, pão de banana, panquecas, bolachas de manteiga, etc. Na verdade o sonho dele é ser pasteleiro, mas não existe um curso para isso, tem de ser aprendiz com um chefe.

Wednesday, January 17, 2007

Design Museum

Esta manha acordámos cedo para apanhar o BUS para a Tower Bridge. Era dia da visita de estudo ao DESIGN MUSEUM.
O caminho foi atribulado a partir do momento em que saímos do autocarro. Estava a chover e não sabíamos onde ficava o museu, tirando o facto da Andreia saber que era do lado direito da ponte. Esta informação não foi muito eficaz, pois acabámos por descobrir que era preciso percorrer uma longa rua nessa direcção até lá chegar.

Pensávamos que íamos atrasadas, até porque íamos realmente cerca de meia hora ou uma hora atrasadas, mas a verdade é que depois de ver-mos calmamente a exposição foi quando o resto da turma apareceu. O David andava lá sozinho a passear, enquanto esperava. Esta atitude de pouca preocupação pareceu ser uma atitude normal, até porque no mail que o David tinha mandado sobre a visita, falava sobre quem nem aparece.

O museu é bastante pequeno, posso mesmo afirmar que o CCB é um mundo perto daquilo. Tem dois andares, pequenos, com uma exposição em cada. No entanto tem uma boa loja de artigos e livros de design.
A exposição que fomos ver era os “Fifty years of graphic work do Alan Fletcher". Podemos ver muita coisa interessante e muitas delas não eram de todo desconhecidas.

Fifty years of graphic work do Alan Fletcher

O local do museu era bastante engraçado. Era perto do rio onde podias ver pequenos cruzeiros de rio a passar e tinhas uma vista próxima da Tower Bridge. Mesmo a rua por onde passámos era muito caricata. Tinha uma espécie de pontes de madeira que atravessavam de um prédio de um lado da rua ao outro do lado oposto. Quando observamos bem percebemos que são varandas, as pontes estão divididas a meio por uma cerca e pertencem a casas de lados opostos da rua. MUITO GIRO.

A rua com varandas a fingir de pontes

Tuesday, January 16, 2007

ZIP ZAP RAP

Como não tínhamos ainda percebido como funcionavam as “aulas”, levantámo-nos cedo para ir para a escola porque supostamente a terça fazia parte do horário como um dia de “aula”.
Contudo, quando chegámos, percebemos que algo não estava certo. Estava na sala um professor, que nós só tínhamos visto uma vez, com um dos grupos que foram estipulados na semana anterior. Este prof chama-se Ed e tem um ar muita maluco, mas é acima de tudo um porreiro. Convidou-nos para nos juntarmos ao grupo e participar numa nova experiencia.

Este foi o momento mais curtido que tive desde que cheguei. A experiencia era baseada numa ideia alucinada do Ed sobre o nome de um CD dos anos 80, chamado ZIP ZAP RAP.
Para iniciar juntámo-nos todos numa roda, incluindo o Ed. De seguida ele agarrou em duas peças de fruta, uma maçã verde e uma laranja. Iniciando para o seu lado direito começo dizendo, “This is a ZIP”, e mostrou a maçã. A pessoa que estava ao lado dele tinha que perguntar, “a what?”, e de seguida ele responde, “a ZIP”. Assim, a pessoa pega na maçã e faz a mesma afirmação ao seguinte, “This is a ZIP”, ao qual ela pergunta, “a what?”, e de seguida a primeira pessoa repete para o Ed “a what?”, ao qual ele responde, “a ZIP”, e a pessoa repete, “a ZIP”, e ai a segunda pessoa agarra na maçã e repete o processo. Ou seja, isto sem interropeções soa mais ou menos assim: This is a ZIP... a what?... a ZIP...This is a ZIP... a what?... a what?... a ZIP... a ZIP...This is a ZIP... a what?...a what?... a what?... a ZIP... a ZIP... a ZIP... This is a ZIP... a what?... a what?... a what?... a what?... a ZIP... a ZIP... a ZIP... a ZIP... This is a ZIP..., e por ai em diante.

Ao mesmo tempo ele iniciou o mesmo processo para o outro lado mas com a laranja, dizendo, “This is a ZAP”...

Como podes imaginar, quando isto se cruzou a meio, ou seja em mim, tornou-se muito confuso. A certa altura eu tinha a maçã numa mão e a laranja noutra e não sabia para que lado dizer o quê? LOL
Foi a risada total. O rapaz que estava ao meu lado passava o tempo em pânico, com as mãos na cabeça a dizer, ”Oh no, it’s caming”, principalmente quando a segunda fruta começava. Repetimos isto uma quantas vezes porque acabava por ficar sempre a meio numa granda confusão e o objectivo era que as duas peças de fruta regressassem ao Ed. Quando finalmente, isso aconteceu (já me doía a barriga de tanto rir), o Ed gritou, “ZIP ZAP RAP, ye”.

Foi definitivamente uma experiencia inesquecível.

De seguida, o grupo acalmou e preparou-se para uma das apresentações. Foram dois rapazes apresentar um documentário inglês sobre graffitis, onde entrevistavam vários rapazes graffiters e incluía algumas opiniões de outras pessoas. Não vimos todo porque era demasiado extenso, mas parecia bastante interessante. No final fez-se um debate sobre o assunto, onde algumas opiniões divergiram, mas tudo num modo produtivo.

O Ed é o de vermelho do lado direito

Quando tudo terminou fui num estante almoçar à cantina e voltei para falar com o David. Como não tínhamos vindo à tutoria de sexta-feira, era, provavelmente, uma boa ideia falar com ele agora. Incrivelmente já tínhamos ideias para falar sobre os projectos. Pensando bem nisto, foi realmente impressionante. Nós não tínhamos os briefings até ao final da manhã deste mesmo dia. Tínhamos ido ler os briefings do D&AD, que estavam afixados na parede do studio, e imediatamente apontei os mais interessantes e escolhi um. O briefing do outro projecto, “Sex, Lies and Comunication”, recolhemos à entrada da sala onde estavam presos por uma mola para os alunos poderem tirar. Ou seja, em pouco tempo conseguimos decidir o que íamos fazer. AMAZING!!

Bem, falámos então com ele e explicámos porque não podemos aparecer na sexta, ao qual ele respondeu que não era preciso dizer nada com ar de quem realmente não se queria intrometer na nossa vida e que era na boa. Ele é mesmo um FIXE.

Quando apresentámos as nossas ideias, ele mostrou-se entusiasmado e ansioso ver os resultados. Não falámos durante muito tempo, tanto por ainda não haver muito que falar mas, também, porque ele tinha tutorias com outro grupo.

Fomos, então, para a sala dos macs, que fica do lado oposto da universidade, para fazer alguma pesquisa e aproveitar para ler os mails. Com a rotina escolar que temos têm sido poucas as oportunidades para ir à net.
Aproveitámos, ainda, para passar na papelaria da escola para comprar uns sketch books para os projectos. Esta papelaria, segundo os alunos, é mais barata que outras lojas de material, o que me assustou porque aquilo não é nem de longe nem de perto o que eu chamo de barato. No entanto tem todo o tipo de material que algum dos cursos pode precisar para projectos. É realmente bastante útil, devíamos ter algo assim na ESEIG.
Esta escola têm realmente boas condições para se fazer os projectos, para alem da papelaria, tem, ainda, uma sala de impressões fantástica. Tem peloter, 2 epsons A1, 1 epson A3 e 1 HP A1. Tem vários tipos de papel mesmo de rolo. É tudo very handy, mas os preços tornam tudo menos apelativo.

Monday, January 15, 2007

Estamos a ambientar-nos a casa

Como efeito da semana exaustiva, passámos todo o fim de semana, o que inclui a segunda feira, em casa a olhar para as paredes. Sim, paredes, porque não temos mais nada para fazer. Não há televisão, nem internet, nem jogos, nem livros, nem trabalhos para adiantar. Infelizmente eu não tinha chegado a ler os briefings e entretanto a Andreia tinha-os perdido.

Este incidente não veio nada a calhar porque com toda a agitação foi-nos impossível trabalhar ou mesmo pensar nos projectos durante a ultima semana, o que nos deixou com menos tempo para os concluir. Contudo aproveitámos para descansar e ganhar forças para começar a vida diária que estamos acostumadas, trabalhar sem respirar.

Contudo o facto de ter casa melhorou bastante a nossa situação. Podemos começar a comprar comida para fazer em casa, o que nos poupa imenso dinheiro. Podemos tomar banho descansadas e sentir-nos à vontade para deixar os nosso pertences em qualquer lado.

Entretanto, o Roan veio trazer-nos mais mobília durante o fim de semana. Recebi uma cama para o meu quarto e uma mesa com cadeiras para a sala/cozinha/quarto--do-Muz. A minha cama é algo muito estranho. Na realidade são dois paralelepípedos de madeira encostados um ao outro com um colchão em cima. Digamos que o colchão também não é grande coisa, é daqueles moles que se sente as molas todas. Mas dá para aguentar três meses (com algumas dores nas costas).

Acabámos, também, por encontrar lençóis à venda. Mas a maneira como os ingleses vendem os lençóis é muito estranha. Vendem o lençol de baixo e o de cima em separado. PARA QUE RAIO ALGUÉM VAI QUERER SÓ UM??!! Conclusão, tanto eu como a Andreia acabámos por comprar um par de lençóis que não coincidiam porque não encontramos dois iguais. Cada um a 8 libras.
Comprámos, ainda, um conjunto de quatro almofadas (vá-se lá saber porquê vender quatro juntas).
Quando procurámos edredões, assustámo-nos pois o preço de um edredão single era 10 libras, logo o double seria mais caro. Nos não estávamos dispostas a gastar tanto dinheiro em algo que nem vamos poder levar de volta para Portugal, pois para além de não caber nas malas ia exceder os 15 quilos estipulados. Deste modo, acabámos por comprar duas mantinhas baratas (para os ingleses), afinal o grande Perry tinha-nos ensinado a ligar o aquecimento.

Foram, então, uns dias calmos para nos ambientar-mos ao local.

O meu quarto

A casa de banho do hawai

O 3 em 1

Friday, January 12, 2007

Finalmente uma casa, mas conforto ainda nao

Hoje, acordámos por volta das 10 a.m., a pensar em ir para a escola, pois íamos ter a primeira tutoria para não se perder uma semana. Contudo isto não foi possível de acontecer porque logo de manhã instalou-se uma enorme movimentação nas nossas vidas.
Tentámos que o Muz nos disse-se se ia poder viver connosco ou não, pois tínhamos que responder a uma das casas o quanto antes possível. Esta decisão não estava fácil, o Muz não sabia se ia poder ou não porque os amigos estavam muito relutantes quanto a emprestar o dinheiro.
Com nenhuma alternativa decidimos telefonar a aceitar o twin room, mas mesmo no momento em que o telefone começou a chamar, a Andreia desligou. Ela estava relutante em deixar o flat. Neste momento estávamos a ponderar se valia a pena o risco de poder ficar a divida para o nosso lado. No entanto o Muz lembrou-se de uma solução para arranjar o dinheiro, mas precisava de uns dias, os quais nós não tínhamos.
Então “decidimos” emprestar dinheiro até ele poder pagar. Eu pessoalmente não gostei da ideia, pois não me atrai emprestar dinheiro a alguém que mal conheço. Mas a Andreia convenceu-me, até porque iria ser só até à noite quando a Jenny chega-se. Ela ia devolver-me o dinheiro em nome do Muz.

Bem, como era realmente importante para a Andreia ficar no flat, as coisas lá andaram nesse sentido. Ligámos, então, para o Roan e ficou tudo resolvido.

No entanto, ouve mais uma situação a resolver. Nós tínhamos o Hostel pago até segunda, por isso tinha-mos decidido fazer a mudança durante o fim de semana. Mas, em conversa com uma das raparigas americanas que ainda se encontrava no quarto, soubemos que ela não tinha onde ficar a partir desta noite.
O Hostel tinha enchido para o fim de semana, e quem não tinha feito reserva com antecedência, não tinha camas vagas. Então decidimos pedir ao Roan se podia-mos mudar imediatamente neste dia, e assim a rapariga ficava com uma das nossas camas e pagava-nos as restantes noites. Era um bom negocio para ela e para nós.
Entretanto ouve outro rapaz, australiano, que tinha o mesmo problema. Fizemos a mesma proposta, e assim recuperámos o dinheiro que não vamos usufruir no Hostel.

Depois de toda esta confusão, tudo acabou por se resolver. Ficámos, assim, de nos encontrar com o Roan durante a tarde, o que já não faltava muito, para assinar-mos o contracto e fazer o primeiro pagamento.

Depois de tudo tratado, voltámos então ao Hostel para ir buscar as malas. O Perry foi um bacano e foi-nos buscar de carro, e ajudar com a bagagem.
No meio disto tudo o mais impressionante foi a maneira como ele conduz. É incrível. Faz ultrapassagens em cima dos outros carros, inversão de marcha em riscos contínuos e já para não falar que anda no lado contrario da estrada. O mais estranho é que coincidentemente os outros condutores fazem todos o mesmo.

Bem, chegando finalmente a casa, atiramo-nos relaxadas para o sofá. Mas agora tínhamos outro problema. A casa não tem lençóis nem cobertores, e nos também não. Tentámos procurar, mas já era tarde, todas as lojas e supermercados fecham por volta das 7 p.m., a hora em questão.

Sem outra solução, jantámos nalgum lado e voltámos para casa. Esta noite só tínhamos uma cama e nada de lençóis ou cobertores e para piorar a situação, o aquecimento estava desligado e não sabíamos como se ligava. Tentámos tudo o que era botões que nos pareciam possíveis e impossíveis, mas nada. Dormimos, então, as duas na mesma cama tapadas com os casacos e relutantemente com um edredão MUITO mal cheiroso do Muz.

A nossa rua

O nosso prédio

Thursday, January 11, 2007

Agora temos casas a mais

Esta manhã fomos obrigadas a levantar cedo sem poder pensar duas vezes. Tínhamos uma marcação às 10 a.m. para ver mais uma casa. Desta vez era um twin room em 13 CAMBERWELL GREEN.

Mal tocou o despertador pus-me logo a pé. Assim que fiquei pronta corri para tomar o pequeno almoço no Pub com a companhia do nosso amigo Muz. Enquanto isso a Andreia terminava de se arranjar e descia.
Já a minha taça de cereais iniciava a digestão e eu ainda me encontrava à espera da menina Andreia. Como é de esperar eu já começava a ficar nervosa, pois uma coisa que odeio é chegar atrasada a marcações, principalmente quando eu é que fico a perder.
Passado algum tempo, ela lá apareceu. Pelos vistos a mala tinha dado muita luta para fechar. Sim, porque devido à falta de segurança éramos obrigadas a fechar a mala a sete chaves todas as manhãs, e ainda passar o dia a rezar para que não fosse arrombada.

Já atrasadas, apanhámos o BUS. A caminho contactámos com a senhoria a avisar que estávamos a chegar, o que não ouve problema.
Depois de adivinhar-mos onde seria a casa, demos de caras com um pequeno prédio, tipicamente inglês.

A senhora encontrava-se no interior à nossa espera. Batemos à porta e assim que esta se abriu, subimos até ao terceiro e ultimo andar. As escadas eram estreitas e como é normal neste pais eram alcatifadas. Chegando ao andar em questão, encontrámos um flat para partilhar com dois rapazes, que não chegámos a conhecer.
O quarto era suficientemente grande para ter duas camas single, um roupeiro, uma cómoda e um minibar.
Considerando que era só para nós as duas, e depois das dificuldades que temos encontrado para encontrar casa, não está nada má. O desespero também já aperta e o preço é aceitável. 110 libras per week a dividir pelas duas.
Ao ver o resto da casa senti-me bastante confortável. Era tudo extremamente limpo e arrumado, pois parece que existia um inquilino que costumava tratar da manutenção das casa, o que incluía levar o lixo e assegurar a limpeza. Provavelmente era um pouco paranóico, pois por todo o lado podia-mos ver recados referentes a arrumar e limpar a casa.
Bem, agora que reflicto nisso, parece-me demasiado bizarro, mas na altura pareceu-me confortante saber que poderia viver num local limpo.
Pelo que a senhora nos falou, os rapazes que viviam naquele apartamento eram trabalhadores e sossegados, o que é sempre uma boa noticia. O que mais me assusta em partilhar casa é ter o azar de ficar com pessoas incomodativas (o que engloba muita coisa).
A casa tinha ainda uma lavandaria privativa ao nível da cave e mesmo ao lado uma cozinha com uma mesa grande para quando se quer trabalhar até tarde, ou comer e conversar durante a noite.
Mais uma vantagem é que pelo que a senhora disse, é possível apanhar wirless gratuito de algum sitio ali perto.

Tudo me pareceu perfeito, mas eu e a Andreia concordámos que seria melhor dizer que daríamos uma resposta até ao fim do dia. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Fomos então para a escola, já atrasadas. Eram 11 a.m. quando chegámos à sala e encontrámos a turma no studio às escuras a ver um concerto de Beetles na tv. Pelo que percebi, o objectivo era observar uma fã num momento de euforia natural. Isto teve como introdução a um novo projecto.
Neste momento a turma foi dividida em grupos de 15 a 20 alunos e cada grupo foi dividido entre 3 professores. Agora, o mais estranho foi perceber que cada grupo ia passar a ter uma metade de um dia por semana para ir à escola. SIM, APENAS UM DIA POR SEMANA.
O nosso grupo ficou com o professor principal, o David, e com as quintas de manhã. Então o que se passa é o seguinte, o projecto é: todas as semanas um elemento do grupo tem de fazer uma apresentação de algo que goste. Pode ser um filme, um livro, um evento, qualquer coisa. No final, o grupo apresenta um trabalho que englobe um pouco de cada apresentação.
Sendo assim as nossas “aulas” funciona deste modo, às 10 a.m de cada quinta feira, o grupo une-se no studio e assiste à apresentação de um dos elementos, e de seguida temos tutorias individuais com o David para falar sobre os outros projectos.

Bem, neste dia as “aulas” acabaram por volta da 1 p.m. Falámos durante 5 minutos com o grupo para estabelecer as semanas em que cada um faria a sua apresentação, e ninguém quis saber de mais nada. O que eu achei estranho e questionei. Perguntei se não queria falar sobre como se iria fazer a apresentação global, mas ninguém pareceu interessado. Propus, então, fazer-se um género de diário onde se punha fotos de cada apresentação e cada um podia escrever um comentário.
Todos disseram que sim, mas com ar de quem nem quer saber o que se vai fazer ou não. Esta atitude deixou-me surpreendida. As pessoas parecem não levar isto muito a sério.

No entanto parece que a própria sala não é levada a serio, ou pelo menos é levada de forma muito descontraída. Não existem mesas individuais, apenas algumas encostadas à parede para quem precisar. As cadeiras são de plástico e estão espalhadas aleatoriamente pela sala, e podemos também encontrar um sofá para quem precisar de mais conforto.
As paredes têm um wallpaper muito “bonito” onde se pode escrever comentários ou colar coisas. É um espaço totalmente relaxado.

O studio

O studio

O que foi mais surpreendente durante esta aula, foi que de repente caiu-nos mais uma casa do céu. Parece que eu estava a adivinhar, quando pensei que era melhor não aceitar logo a outra.
Durante a manhã recebemos um telefonema do Roan, que não sei como mas conseguiu com que podéssemos ficar com o flat que tínhamos visto em primeiro lugar. Por um lado foi uma boa noticia, por outro nem por isso.
Eu tinha ficado contente com o twin room, mas a Andreia preferia o flat. Não é que me incomodá-se ter um quarto só para mim com cama de casal e uma casa inteira por nossa conta, mas este não tinha internet e era muito mais caro. 185 libras per week.
No entanto eu já tinha proposto anteriormente falar com o Muz para dividir uma casa. À partida era alguém que já conhecíamos minimamente, e se estávamos a dormir à uma semana no mesmo quarto que ele, também dormíamos na mesma casa. Deste modo, a despesa era a dividir pelos três, mas o único problema era que ele teria de dormir no sofá.
Bem, ficámos de falar mais tarde com ele.

Durante a tarde já nos sentia-mos mais sossegadas. Finalmente parecia que íamos ter casa, se não fosse uma era a outra.
Decidimos, então, aproveitar para dar um passei. Convidámos o Muz e fomos todos a Stockwell que nos foi indicado por uma rapariga madeirense que conhecemos numa Bakery. Ao que parece é um local onde existem muitos portugueses.

Realmente, mal chegámos lá e começámos a ver lojas, cafés, restaurantes, farmácias, etc, tudo com nomes portugueses, como Funchal, Madeira, Sintra, entre outros.
Entrámos num restaurante com comidinha à moda de Portugal. A Andreia deliciou-se com uma bela sopa de ervilhas e aproveitámos para ver um pouco do programa da tarde da RTP. UPA, UPA, BEM BOM!!
Todos os empregados eram portugueses, assim como os clientes, era quase como estar em Portugal, tirando os preços que eram bem à inglesa.

Já que estamos numa de passear resolvemos ir a Londres centro observar umas lojas. Sim, observar, porque comprar não é para o nosso bolso. As lojas que existiam naquela rua, são as mesmas que temos nos shoppings em Portugal, roupa da moda. Mas acabámos por passar lá a tarde toda.

À entrada do Convent Garden

Entretanto aproveitámos para propor ao Muz partilhar o flat. A resposta foi positiva, o único se não era o dinheiro. Tinha-mos de pagar um mês de deposito e mais um mês adiantado, o que fazia mais de 490 libras para cada um. Tendo em conta que o Muz está desempregado, é difícil arranjar tanto dinheiro de repente.

Como solução fomos a casa de uma amiga dele, a Jenny, que se encontrava com o seu namorado Perry, para pedir dinheiro emprestado. Eles são uns fixes. A Jenny está a estudar enfermagem e vive num room alugado. O Perry não faz nada da vida e vive em casa dos pais que são cheios da money.
Entretanto, num acto de fé, a Andreia ligou para o Roan a implorar que pagássemos apenas um mês. Qual não foi o espanto quando ele na maior das simpatias respondeu que era na boa. Aproveitámos ainda para negociar as bils (água, luz e gáz). O que no final ficou por 30 libras a mais na renda.
O cenário estava a melhorar, mas mesmo assim estava complicado para a Jenny e o Perry arriscarem. O que compreendo perfeitamente, eu própria tinha as minhas duvidas. Morar com alguém que não tem trabalho, nunca se sabe como vai correr da próxima vez que for preciso pagar.
Bem, ficámos de esperar uma resposta deles até à manhã seguinte, e já estávamos a arriscar perder as casas.

Voltámos ao Hostel já passava da minha hora de jantar. Nesse momento aproveitei para tirar a barriga de miséria e comer uma pizza no Pub, pois tínhamos desconto por estar-mos lá hospedados.

Este foi mais um dia intensivo, com muitas surpresas e decisões a tomar, mas como sempre acabamos por voltar para o mesmo quarto do Hostel. Mas desta vez com um sorriso na cara... a partida estava para breve.