Monday, January 15, 2007

Estamos a ambientar-nos a casa

Como efeito da semana exaustiva, passámos todo o fim de semana, o que inclui a segunda feira, em casa a olhar para as paredes. Sim, paredes, porque não temos mais nada para fazer. Não há televisão, nem internet, nem jogos, nem livros, nem trabalhos para adiantar. Infelizmente eu não tinha chegado a ler os briefings e entretanto a Andreia tinha-os perdido.

Este incidente não veio nada a calhar porque com toda a agitação foi-nos impossível trabalhar ou mesmo pensar nos projectos durante a ultima semana, o que nos deixou com menos tempo para os concluir. Contudo aproveitámos para descansar e ganhar forças para começar a vida diária que estamos acostumadas, trabalhar sem respirar.

Contudo o facto de ter casa melhorou bastante a nossa situação. Podemos começar a comprar comida para fazer em casa, o que nos poupa imenso dinheiro. Podemos tomar banho descansadas e sentir-nos à vontade para deixar os nosso pertences em qualquer lado.

Entretanto, o Roan veio trazer-nos mais mobília durante o fim de semana. Recebi uma cama para o meu quarto e uma mesa com cadeiras para a sala/cozinha/quarto--do-Muz. A minha cama é algo muito estranho. Na realidade são dois paralelepípedos de madeira encostados um ao outro com um colchão em cima. Digamos que o colchão também não é grande coisa, é daqueles moles que se sente as molas todas. Mas dá para aguentar três meses (com algumas dores nas costas).

Acabámos, também, por encontrar lençóis à venda. Mas a maneira como os ingleses vendem os lençóis é muito estranha. Vendem o lençol de baixo e o de cima em separado. PARA QUE RAIO ALGUÉM VAI QUERER SÓ UM??!! Conclusão, tanto eu como a Andreia acabámos por comprar um par de lençóis que não coincidiam porque não encontramos dois iguais. Cada um a 8 libras.
Comprámos, ainda, um conjunto de quatro almofadas (vá-se lá saber porquê vender quatro juntas).
Quando procurámos edredões, assustámo-nos pois o preço de um edredão single era 10 libras, logo o double seria mais caro. Nos não estávamos dispostas a gastar tanto dinheiro em algo que nem vamos poder levar de volta para Portugal, pois para além de não caber nas malas ia exceder os 15 quilos estipulados. Deste modo, acabámos por comprar duas mantinhas baratas (para os ingleses), afinal o grande Perry tinha-nos ensinado a ligar o aquecimento.

Foram, então, uns dias calmos para nos ambientar-mos ao local.

O meu quarto

A casa de banho do hawai

O 3 em 1

Friday, January 12, 2007

Finalmente uma casa, mas conforto ainda nao

Hoje, acordámos por volta das 10 a.m., a pensar em ir para a escola, pois íamos ter a primeira tutoria para não se perder uma semana. Contudo isto não foi possível de acontecer porque logo de manhã instalou-se uma enorme movimentação nas nossas vidas.
Tentámos que o Muz nos disse-se se ia poder viver connosco ou não, pois tínhamos que responder a uma das casas o quanto antes possível. Esta decisão não estava fácil, o Muz não sabia se ia poder ou não porque os amigos estavam muito relutantes quanto a emprestar o dinheiro.
Com nenhuma alternativa decidimos telefonar a aceitar o twin room, mas mesmo no momento em que o telefone começou a chamar, a Andreia desligou. Ela estava relutante em deixar o flat. Neste momento estávamos a ponderar se valia a pena o risco de poder ficar a divida para o nosso lado. No entanto o Muz lembrou-se de uma solução para arranjar o dinheiro, mas precisava de uns dias, os quais nós não tínhamos.
Então “decidimos” emprestar dinheiro até ele poder pagar. Eu pessoalmente não gostei da ideia, pois não me atrai emprestar dinheiro a alguém que mal conheço. Mas a Andreia convenceu-me, até porque iria ser só até à noite quando a Jenny chega-se. Ela ia devolver-me o dinheiro em nome do Muz.

Bem, como era realmente importante para a Andreia ficar no flat, as coisas lá andaram nesse sentido. Ligámos, então, para o Roan e ficou tudo resolvido.

No entanto, ouve mais uma situação a resolver. Nós tínhamos o Hostel pago até segunda, por isso tinha-mos decidido fazer a mudança durante o fim de semana. Mas, em conversa com uma das raparigas americanas que ainda se encontrava no quarto, soubemos que ela não tinha onde ficar a partir desta noite.
O Hostel tinha enchido para o fim de semana, e quem não tinha feito reserva com antecedência, não tinha camas vagas. Então decidimos pedir ao Roan se podia-mos mudar imediatamente neste dia, e assim a rapariga ficava com uma das nossas camas e pagava-nos as restantes noites. Era um bom negocio para ela e para nós.
Entretanto ouve outro rapaz, australiano, que tinha o mesmo problema. Fizemos a mesma proposta, e assim recuperámos o dinheiro que não vamos usufruir no Hostel.

Depois de toda esta confusão, tudo acabou por se resolver. Ficámos, assim, de nos encontrar com o Roan durante a tarde, o que já não faltava muito, para assinar-mos o contracto e fazer o primeiro pagamento.

Depois de tudo tratado, voltámos então ao Hostel para ir buscar as malas. O Perry foi um bacano e foi-nos buscar de carro, e ajudar com a bagagem.
No meio disto tudo o mais impressionante foi a maneira como ele conduz. É incrível. Faz ultrapassagens em cima dos outros carros, inversão de marcha em riscos contínuos e já para não falar que anda no lado contrario da estrada. O mais estranho é que coincidentemente os outros condutores fazem todos o mesmo.

Bem, chegando finalmente a casa, atiramo-nos relaxadas para o sofá. Mas agora tínhamos outro problema. A casa não tem lençóis nem cobertores, e nos também não. Tentámos procurar, mas já era tarde, todas as lojas e supermercados fecham por volta das 7 p.m., a hora em questão.

Sem outra solução, jantámos nalgum lado e voltámos para casa. Esta noite só tínhamos uma cama e nada de lençóis ou cobertores e para piorar a situação, o aquecimento estava desligado e não sabíamos como se ligava. Tentámos tudo o que era botões que nos pareciam possíveis e impossíveis, mas nada. Dormimos, então, as duas na mesma cama tapadas com os casacos e relutantemente com um edredão MUITO mal cheiroso do Muz.

A nossa rua

O nosso prédio

Thursday, January 11, 2007

Agora temos casas a mais

Esta manhã fomos obrigadas a levantar cedo sem poder pensar duas vezes. Tínhamos uma marcação às 10 a.m. para ver mais uma casa. Desta vez era um twin room em 13 CAMBERWELL GREEN.

Mal tocou o despertador pus-me logo a pé. Assim que fiquei pronta corri para tomar o pequeno almoço no Pub com a companhia do nosso amigo Muz. Enquanto isso a Andreia terminava de se arranjar e descia.
Já a minha taça de cereais iniciava a digestão e eu ainda me encontrava à espera da menina Andreia. Como é de esperar eu já começava a ficar nervosa, pois uma coisa que odeio é chegar atrasada a marcações, principalmente quando eu é que fico a perder.
Passado algum tempo, ela lá apareceu. Pelos vistos a mala tinha dado muita luta para fechar. Sim, porque devido à falta de segurança éramos obrigadas a fechar a mala a sete chaves todas as manhãs, e ainda passar o dia a rezar para que não fosse arrombada.

Já atrasadas, apanhámos o BUS. A caminho contactámos com a senhoria a avisar que estávamos a chegar, o que não ouve problema.
Depois de adivinhar-mos onde seria a casa, demos de caras com um pequeno prédio, tipicamente inglês.

A senhora encontrava-se no interior à nossa espera. Batemos à porta e assim que esta se abriu, subimos até ao terceiro e ultimo andar. As escadas eram estreitas e como é normal neste pais eram alcatifadas. Chegando ao andar em questão, encontrámos um flat para partilhar com dois rapazes, que não chegámos a conhecer.
O quarto era suficientemente grande para ter duas camas single, um roupeiro, uma cómoda e um minibar.
Considerando que era só para nós as duas, e depois das dificuldades que temos encontrado para encontrar casa, não está nada má. O desespero também já aperta e o preço é aceitável. 110 libras per week a dividir pelas duas.
Ao ver o resto da casa senti-me bastante confortável. Era tudo extremamente limpo e arrumado, pois parece que existia um inquilino que costumava tratar da manutenção das casa, o que incluía levar o lixo e assegurar a limpeza. Provavelmente era um pouco paranóico, pois por todo o lado podia-mos ver recados referentes a arrumar e limpar a casa.
Bem, agora que reflicto nisso, parece-me demasiado bizarro, mas na altura pareceu-me confortante saber que poderia viver num local limpo.
Pelo que a senhora nos falou, os rapazes que viviam naquele apartamento eram trabalhadores e sossegados, o que é sempre uma boa noticia. O que mais me assusta em partilhar casa é ter o azar de ficar com pessoas incomodativas (o que engloba muita coisa).
A casa tinha ainda uma lavandaria privativa ao nível da cave e mesmo ao lado uma cozinha com uma mesa grande para quando se quer trabalhar até tarde, ou comer e conversar durante a noite.
Mais uma vantagem é que pelo que a senhora disse, é possível apanhar wirless gratuito de algum sitio ali perto.

Tudo me pareceu perfeito, mas eu e a Andreia concordámos que seria melhor dizer que daríamos uma resposta até ao fim do dia. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Fomos então para a escola, já atrasadas. Eram 11 a.m. quando chegámos à sala e encontrámos a turma no studio às escuras a ver um concerto de Beetles na tv. Pelo que percebi, o objectivo era observar uma fã num momento de euforia natural. Isto teve como introdução a um novo projecto.
Neste momento a turma foi dividida em grupos de 15 a 20 alunos e cada grupo foi dividido entre 3 professores. Agora, o mais estranho foi perceber que cada grupo ia passar a ter uma metade de um dia por semana para ir à escola. SIM, APENAS UM DIA POR SEMANA.
O nosso grupo ficou com o professor principal, o David, e com as quintas de manhã. Então o que se passa é o seguinte, o projecto é: todas as semanas um elemento do grupo tem de fazer uma apresentação de algo que goste. Pode ser um filme, um livro, um evento, qualquer coisa. No final, o grupo apresenta um trabalho que englobe um pouco de cada apresentação.
Sendo assim as nossas “aulas” funciona deste modo, às 10 a.m de cada quinta feira, o grupo une-se no studio e assiste à apresentação de um dos elementos, e de seguida temos tutorias individuais com o David para falar sobre os outros projectos.

Bem, neste dia as “aulas” acabaram por volta da 1 p.m. Falámos durante 5 minutos com o grupo para estabelecer as semanas em que cada um faria a sua apresentação, e ninguém quis saber de mais nada. O que eu achei estranho e questionei. Perguntei se não queria falar sobre como se iria fazer a apresentação global, mas ninguém pareceu interessado. Propus, então, fazer-se um género de diário onde se punha fotos de cada apresentação e cada um podia escrever um comentário.
Todos disseram que sim, mas com ar de quem nem quer saber o que se vai fazer ou não. Esta atitude deixou-me surpreendida. As pessoas parecem não levar isto muito a sério.

No entanto parece que a própria sala não é levada a serio, ou pelo menos é levada de forma muito descontraída. Não existem mesas individuais, apenas algumas encostadas à parede para quem precisar. As cadeiras são de plástico e estão espalhadas aleatoriamente pela sala, e podemos também encontrar um sofá para quem precisar de mais conforto.
As paredes têm um wallpaper muito “bonito” onde se pode escrever comentários ou colar coisas. É um espaço totalmente relaxado.

O studio

O studio

O que foi mais surpreendente durante esta aula, foi que de repente caiu-nos mais uma casa do céu. Parece que eu estava a adivinhar, quando pensei que era melhor não aceitar logo a outra.
Durante a manhã recebemos um telefonema do Roan, que não sei como mas conseguiu com que podéssemos ficar com o flat que tínhamos visto em primeiro lugar. Por um lado foi uma boa noticia, por outro nem por isso.
Eu tinha ficado contente com o twin room, mas a Andreia preferia o flat. Não é que me incomodá-se ter um quarto só para mim com cama de casal e uma casa inteira por nossa conta, mas este não tinha internet e era muito mais caro. 185 libras per week.
No entanto eu já tinha proposto anteriormente falar com o Muz para dividir uma casa. À partida era alguém que já conhecíamos minimamente, e se estávamos a dormir à uma semana no mesmo quarto que ele, também dormíamos na mesma casa. Deste modo, a despesa era a dividir pelos três, mas o único problema era que ele teria de dormir no sofá.
Bem, ficámos de falar mais tarde com ele.

Durante a tarde já nos sentia-mos mais sossegadas. Finalmente parecia que íamos ter casa, se não fosse uma era a outra.
Decidimos, então, aproveitar para dar um passei. Convidámos o Muz e fomos todos a Stockwell que nos foi indicado por uma rapariga madeirense que conhecemos numa Bakery. Ao que parece é um local onde existem muitos portugueses.

Realmente, mal chegámos lá e começámos a ver lojas, cafés, restaurantes, farmácias, etc, tudo com nomes portugueses, como Funchal, Madeira, Sintra, entre outros.
Entrámos num restaurante com comidinha à moda de Portugal. A Andreia deliciou-se com uma bela sopa de ervilhas e aproveitámos para ver um pouco do programa da tarde da RTP. UPA, UPA, BEM BOM!!
Todos os empregados eram portugueses, assim como os clientes, era quase como estar em Portugal, tirando os preços que eram bem à inglesa.

Já que estamos numa de passear resolvemos ir a Londres centro observar umas lojas. Sim, observar, porque comprar não é para o nosso bolso. As lojas que existiam naquela rua, são as mesmas que temos nos shoppings em Portugal, roupa da moda. Mas acabámos por passar lá a tarde toda.

À entrada do Convent Garden

Entretanto aproveitámos para propor ao Muz partilhar o flat. A resposta foi positiva, o único se não era o dinheiro. Tinha-mos de pagar um mês de deposito e mais um mês adiantado, o que fazia mais de 490 libras para cada um. Tendo em conta que o Muz está desempregado, é difícil arranjar tanto dinheiro de repente.

Como solução fomos a casa de uma amiga dele, a Jenny, que se encontrava com o seu namorado Perry, para pedir dinheiro emprestado. Eles são uns fixes. A Jenny está a estudar enfermagem e vive num room alugado. O Perry não faz nada da vida e vive em casa dos pais que são cheios da money.
Entretanto, num acto de fé, a Andreia ligou para o Roan a implorar que pagássemos apenas um mês. Qual não foi o espanto quando ele na maior das simpatias respondeu que era na boa. Aproveitámos ainda para negociar as bils (água, luz e gáz). O que no final ficou por 30 libras a mais na renda.
O cenário estava a melhorar, mas mesmo assim estava complicado para a Jenny e o Perry arriscarem. O que compreendo perfeitamente, eu própria tinha as minhas duvidas. Morar com alguém que não tem trabalho, nunca se sabe como vai correr da próxima vez que for preciso pagar.
Bem, ficámos de esperar uma resposta deles até à manhã seguinte, e já estávamos a arriscar perder as casas.

Voltámos ao Hostel já passava da minha hora de jantar. Nesse momento aproveitei para tirar a barriga de miséria e comer uma pizza no Pub, pois tínhamos desconto por estar-mos lá hospedados.

Este foi mais um dia intensivo, com muitas surpresas e decisões a tomar, mas como sempre acabamos por voltar para o mesmo quarto do Hostel. Mas desta vez com um sorriso na cara... a partida estava para breve.

Wednesday, January 10, 2007

Continuamos sem casa

É ainda o nosso terceiro dia em London e no entanto acordámos com a sensação de que se tinham passado semanas. A agitação dos últimos dias tem sido exaustiva.

Esta manhã aproveitámos para dormir mais um pouco, para recarregar energias.
Acordámos por volta das 10 a.m. e mais uma vez tivemos que lidar com a realidade!! O quarto do Hostel!

Infelizmente continuava-mos sem chinelos, pois digamos que em Londres em pleno inverno não é fácil encontrar chinelos à venda. Começo a pensar que eles talvez nem usem chinelos.
Devido a este problema tivemos de recorrer a medidas drásticas...
Estava fora de questão sair mais uma vez sem tomar banho, então puxámos pela criatividade e desencantámos a ideia de tomar banho com sacos nos pés. LOL (laughing out loud)
Bem, a verdade é que, de uma forma estranha e desconfortante, resultou. Sentíamo-nos muito melhor.

O nosso companheiro de quarto habitual, Muz

Depois de prontas, tomei o pequeno almoço (duas bolachas), e partimos. Fomos a pé, com o nosso novo amigo e companheiro de quarto, Muz (Murray), até Elephant & Catle. Lá encontrámos um Shopping Centre onde aproveitámos para procurar chinelos, e finalmente encontrámos. À saída descobrimos um Market, ou seja, uma feira de monhês, e como é de esperar fizemos o Muz aturar-nos a ver tudo entusiasticamente.

Neste momento eram 12 a.m. e já começava a sentir fome. Fomos apanhar o BUS para Camberwell Green. Hoje não havia nenhuma actividade marcada pela escola, mas tínhamos um encontro com o H.
Enquanto fazíamos tempo, despedimo-nos do Muz que ia ter com uma amiga, e fomos almoçar a um restaurante com buffet que vimos no caminho. Não era muito caro mas a variedade e a qualidade faziam jus ao preço. Ou seja, era pouco e mau.

Acabámos por nos encontrar, como marcado, às 2 p.m. em frente do Mc’donalds (que existe sempre em todos os cantos do mundo) com o H.
Ele foi muito porreiro e ajudou-nos a comprar um Oyster card. SIM, QUER DIZER OSTRA! Mas não é. É um passe para transportes públicos. O cartão é magnético e recarregável. Ou seja, pedimos um cartão para uma semana (porque aqui funciona tudo à semana), e daqui a sete dias temos que o carregar (Top-up como se diz por cá) numa shop, para mais uma semana.

O H levou-nos numa longa viagem de BUS até ao restaurante de um amigo, para os lados de Greenwish. Mas mais uma vez não tivemos sorte. A casa só dava para uma pessoa. De qualquer forma era muito longe da escola.

Voltámos tudo para trás já era de noite, pois aqui anoitece por volta das 3 p.m., o que torna os dias muito pequenos. É verdade que este facto também provoca mais preguiça.

Às 6 p.m. tínhamos mais um encontro marcado, agora para ver o bedsit do numero 55A de CAMBERWELL CHURCH STREET.
Foi a coisa mais horrível que eu alguma vez vi. Era um estúdio de uma só divisão. Quando passei a porta, que eu pensava dar para o interior de uma casa, vi uma cama de casal apertada com um sofazinho. A poucos centímetros estava um pequeno frigorifico e uma banca de madeira com lava loiça. Para cozinhar tinha um pequeno forno eléctrico com duas resistências. A casa de banho era no corredor do prédio, ao lado das escadas, para partilhar sabe-se lá com quem. NO WAY!
Até o Hostel me parecia melhor que aquilo.

Desiludidas, partimos em direcção ao Hostel. Já eram horas de jantar e pensámos em comer num restaurante mexicano que vimos no caminho quando vínhamos no BUS pela manhã.
Como não conhecemos nada, acabámos por perder a paragem onde devíamos sair do autocarro. Saímos, então, em Elephant & Castle e jantámos num restaurante que era uma mistura de argentino e colombiano. Engraçado que aqui não existem restaurantes que se dediquem a um só tipo de comida, misturam sempre vários. Mesmo os pratos parecem ser grandes misturas. Comemos feijão com arroz, ovo frito, salada, abacate, banana, toscana (que para mim é salsicha), carne picada e entremeada. Para acompanhar comemos nachos com queijo e hot pepper verde. BLHA! Fiquei com a boca a arder.
Como podemos comprovar, não existe comida de gente em Londres. Só coisas estranhas e muito temperadas.

Bem, mais uma vez voltámos ao Hostel, cansadas, para mais uma noite de sono.
Desta vez entraram duas raparigas americanas, mais precisamente da Califórnia. Isto, pelo que me disseram porque não as ouvi falar uma única vez.

Tuesday, January 09, 2007

Os trabalhos e a procura de casa

O nosso quarto e o dos outros

A hora de levantar rondou as 8.30 a.m. Este foi um exercício difícil, já que estávamos extremamente cansadas do dia anterior. Acordei com os braços doridos por ter carregado as malas por toda a cidade.
Foi nesta manhã que deparámos com a maior das dificuldades, não poder tomar banho. As casas de banho eram imundas e os chuveiros não tinham tapetes plásticos onde por os pés e como não prevemos esta situação não trouxemos chinelos.

Bem, resolvemos vestir-nos e descer para o pequeno almoço que estava incluído na estadia. Tinha-mos direito a torradas com manteiga ou geleia, café, sumo, leite e cereais. Não é como num grande hotel mas para uma pousada parece-me apropriado.

De seguida dirigimo-nos para a escola de autocarro ou BUS como dizem por cá. O caminho ainda era um pouco longo, pois o Hostel ainda ficava longe.
Chegámos em frente do College eram por volta das 10.30 a.m. e ficámos deslumbradas. De noite, não no apercebemos do quão bonita é a fachada da parte antiga do CAMBERWELL COLLEGE OF ARTS. Parte antiga porque a universidade iniciou-se num edifício antigo e mais tarde foi feito um acréscimo numa arquitectura mais recente. Esta tem uma fachada semelhante a muitas que estamos habituadas a ver em Portugal, mas a antiga é qualquer coisa. É provavelmente uma estrutura habitual em colégios ingleses, mas para nós é como estar num filme. Lembra um castelo antigo ou uma grande casa assombrada, e incute uma imponência estonteante a quem o observa.

Camberwell College of Arts

Na escola conhecemos o Jim Pierson, o coordenador das relações internacionais, que nos colocou a preencher papeis na secretaria para nos registarmos como alunas do College e recebermos os nossos cartões de estudante. Ao contrario de Portugal, aqui temos os cartões de imediato. Tiraram-nos uma foto horrível numa web cam, e um segundo depois estava o cartão a sair prontinho de uma pequena maquina.

Assim que terminámos fomos almoçar, já passava do meio dia e meio e a cantina da escola estava a começar a encher. Esta não é como à nossa, é uma mistura de pequeno bar e cantina onde há de tudo um pouco: sandes, comida quente, saladas, iogurtes, etc, mas “at the English way”.
A Andreia experimentou uma Jack Potato with chilli, mas não gostou, penso que os feijões estavam mal cozidos or something.
Eu comi uma espécie de salada de lentilhas com bocados de frango estufado num molho de tomate e pimentos. Não era mau de todo, tinha um sabor bastante intenso, muito temperado e definitivamente muito diferente de qualquer prato português. Contudo, era comestível, mesmo considerando os vómitos que estava a provocar na Andreia.

De seguida tínhamos ficado de procurar o Patrick. De alguma forma, no meio do labirinto que é a escola, conseguimos encontrar o seu escritório. Foi nesse momento que recordei o que eu estava realmente a fazer neste filme. Recebemos os primeiros projectos: Sex, Lies and Comunication e outro seria para escolhermos entre os briefings do D&AD.

Rapidamente despachou-nos para as mãos do David Coventon, o tutor do second year de Graphic Design. Sim é verdade, UM SÓ PROFESSOR.
Cada ano tem apenas um professor e uma só disciplina. Esta disciplina destina-se a receber projectos e desenvolve-los. Não aprendem programas, não aprendem regras gráficas, não aprendem teoria, nada.

O David é um FIXE!! Foi o único que se disponibilizou a mostrar-nos as instalações. Levou-nos a passear por toda a escola, explicou-nos como tudo funcionava, FOI UM MUST!! Gostei principalmente da parte em que explicou o horário das aulas, ou seja... NÃO HÁ AULAS!! É VERDADE, NÃO HÁ AULAS!! O que há é dias de ir á escola, que basicamente são as terças e as quintas. As quartas servem para palestras, visitas de estudo e pouco mais. E as sextas são dedicadas a workshops, nos quais nos não participamos porque estes só irão terminar no final do ano.

Acabamos a tour por volta das 2 p.m. e seguimos para a suposta sala de aula, o so called Studio, onde ficámos a conhecer parte da “nossa” turma. Inclusive, participámos numa pequena reunião onde o David conversava com um grupo de alunos sobre um projecto que tinham que fazer durante as férias de Natal. Chegamos mesmo a ver dois dos projectos (in)acabados. Definitivamente, não estava à espera de passar por um momento destes durante esta experiencia. Senti-me realmente desiludida.
Comecei por achar estranho o facto de o deadline ter terminado e muitos ainda não tinham entregue o projecto, mas não há problema. NÃO HÁ PROBLEMA??!! Sortudos, se fossem em Portugal estavam bem tramados.
Algo que eu também não estava à espera foi o mau acabamento dos trabalhos, eram mais parecidos com estudos primários de um projecto, só para dar uma ideia. Mesmo o tratamento gráfico estava péssimo, sem qualquer noção estética, e mesmo a aplicação física do projecto não tinha nada de interessante ou criativo.
Mas o que mais me chocou foi o facto de a opinião do grupo e mesmo a do professor ser positiva.

Bem, como tinha-mos como prioridade e urgência encontrar casa, aproveitámos o resto da tarde para o fazer.
Primeiramente dirigimo-nos ao gabinete de apoio ao aluno, onde conhecemos o Derek, o encarregado do mesmo. No entanto o único apoio que nos soube dar foi indicar-nos um website. UM WEBSITE??!! Acho que não precisava dele para chegar a essa ideia.
Bem, foi no www.gumtree.com que passamos o resto da tarde. Após uma longa procura, pouco ou nada conseguimos encontrar. Ligamos para alguns sítios, a maior parte dos quais já estavam ocupados. Entre muitos, apenas conseguimos marcação para ver dois, um flat para hoje e um bedsit para amanhã.

Eram 7 p.m. e estávamos à porta do 11 CAMBERWELL CHURCH STREET, como estava marcado. Era um pequeno flat com dois quartos de casal, uma casa de banho e uma sala com cozinha, tipo 2 em 1. A casa não era nada má e estava bastante perto da universidade, mas o preço era um pouco puxado.
Quem nos mostrou a casa foi um agente de uma imobiliária, o Roan. Era um tipo muito simpático, no entanto, em conversa, descobrimos que havia tempo mínimo de aluguer (6 meses), o qual não poderíamos cumprir. Contudo o Roan disse que nos tentaria ajudar, pois conhecia o dono de um prédio em frente e ia ver se ele tinha algum flat que nos pudesse alugar.

Desanimadas, decidimos procurar um local para jantar. Sem conhecer nada fomos andando quando, não muito longe, demos de caras com um Galo de Barcelos à entrada de um restaurante. Tratava-se do Nando’s, um restaurante, supostamente, Português. Engraçado que comida portuguesa naquele sitio designa-se a frango no churrasco e batata frita, pelo qual pagámos 15 libras, enquato em Portugal podemos comer o mesmo por menos de 5 euros.
Foi assim que aprendi que frango com piri piri é comida típica portuguesa.

O Nando's

Entretanto travámos amizade com alguns dos funcionários, em particular com um rapaz do Chipre chamado Holil, para os amigos “H”. Foi bastante simpático e disponibilizou-se para nos ajudar a encontrar casa. Combinámos, então, encontrar-nos no dia seguinte para falarmos com um amigo dele sobre uma casa que ele tem para alugar.

De seguida, vimo-nos obrigadas, especialmente porque o cansaço já apertava, a voltar para o Hostel, para mais uma noite “bem passada”. Amanha à mais para fazer...

Monday, January 08, 2007

Começou a aventura

Após uma noite passada em claro a terminar projectos que teriam inevitavelmente que ficar prontos antes da nossa partida, COMEÇOU A AVENTURA.
Eram cinco da manhã quando, com um grande e doloroso esforço, me arrastei de cansaço de modo a iniciar o processo de preparação final para a partida: tomar banho, vestir, fechar as malas e sair de casa.
Pouco depois a Andreia chegou a minha casa igualmente pronta para a viagem, e quando digo igualmente posso dize-lo literalmente, pois curiosamente estava-mos com casacos iguais (os mais quentes que encontrámos á venda).

Estava um frio de rachar e ainda não se via nenhum raio de luz no céu, quando partimos para o aeroporto. Deixámos casa, família, amigos, namorados e tudo o que nos é familiar para trás... A partir de agora só podemos contar com o apoio uma da outra.

Já no aeroporto tratámos de tudo sem problemas, penso que a única dificuldade foi eu conseguir passar pelo detector de metais. Como era de esperar eu tinha que apitar. Provavelmente devido a algum pequeno pormenor como: cinto, pulseiras, alfinetes nas calças ou até mesmo piercings (o que é menos plausível). Quando a rapariga que estava a revistar reparou nisso tudo, limitou-se a rir e a deixar-me passar.
O mais estranho foi o facto da minha mala não exceder os 15 quilos que eram estipulado como peso máximo permitido, na verdade tinha apenas 13 e qualquer coisa. Se eu soubesse... Não sei como isso foi possível porque a mala vinha completamente cheia, de tal modo que eu mal conseguia pegar nela.

No aeroporto

A Andreia com as malas

Quando finalmente (depois de duas horas a passar por todos os processos necessários) avistámos o avião, foi então que compreendi a expressão “viagem barata”. Era provavelmente o avião mais pequeno que alguma vez vi, o que me fez questionar a qualidade do voo. Não levei muito tempo a receber resposta e posso explicá-la com uma citação inquietante da Andreia, “o avião tremia por todos os lados”.
Durante a viagem não pensei muito nisso, até considerei uma viagem bastante rápida e relaxada, talvez pelo facto de ter aproveitado para dormir o tempo todo.

Chegando a Inglaterra estávamos a contar com uma boleia para a cidade que infelizmente acabámos por não ter. Compramos, então, bilhetes para um autocarro da Terravision, que fazia ligação do aeroporto para Victoria Stantion em Londres. Provavelmente uma longa viagem, mas quando acordei já estava a chegar.

Agora em Victoria Stantion já passava das 3 p.m. (como dizem os ingleses), e era altura de tomar decisões.
Tínhamos uma reserva para duas noites, que eu fizera antecipadamente, numa pousada da juventude internacional em South Kensington. No entanto, esta só estava guardada até ás 3 p.m., por regras do estabelecimento. Contudo achei que a atitude mais correcta seria dirigir-nos ao local e tentar assegurar um quarto.
A Andreia não partilhava da mesma opinião e sugeriu irmos directas à universidade e pedir ajuda para encontrarmos um local mais perto e mais barato. Bem, foi isso que acabámos por fazer.

Encontrar o autocarro certo pareceu mais complicado do que aquilo que realmente foi, pois em Londres as paragens de autocarro têm todas informação muito clara de quais são os autocarros que passam e que caminho percorrem. Contudo, como é a primeira vez e ainda tudo parece muito estranho optámos por um modo mais primórdio mas muito funcional, perguntar!!!
Foi exactamente da mesma forma que descobrimos onde se comprava bilhetes, o que é um pouco diferente que em Portugal, é realmente muito mais fácil. Não se pode comprar os bilhetes no autocarro mas existem na maioria das paragens maquinas de venda e ainda estão á venda bilhetes e todo o tipo de passes em qualquer Shop. – Uma Shop é normalmente uma mistura de pequena mercearia com papelaria, tabacaria e ainda podemos encontrar à venda cartões para telemóvel ou telefones públicos. Estas lojas existem por todo o lado, em grandes quantidades.

Chegámos finalmente a Camberwell College of Arts (CCA) que se encontra a meio da Peckham Road. Conhece-mos então o Patrick Roberts, coordenador do curso de Graphic Design. Este é uma personagem semelhante ao nosso já conhecido Steven. Tem um ar um pouco aluado, mostrou-se uma pessoa de boas intenções mas não consegue ajudar em nada. Bem, neste momento eram 5 p.m. e a escola estava praticamente vazia, o que me parece um pouco estranho. Parece que a esta hora já ninguém se encontra a trabalhar.
Conclusão a nossa viagem á escola foi em vão, pois ninguém conhecia nada que nos pudesse indicar. Foi então que percebi que devia dar mais ouvidos a mim própria e arrependi-me de não ter ido antes à pousada em primeiro lugar.
O cenário da nossa situação não caminhava para o agradável. Era de noite e estávamos sozinhas numa cidade estranha sem ter onde ficar.
Como obriga a situação, tivemos de ser pessoas desenrascadas, o que ao que parece é uma característica portuguesa. Voltamos então ao ponto de partida, acedemos à internet num dos computadores da escola, em busca de pousadas.

Foi ai que encontrámos o Dover Castle Hostel, uma pousada barata que se encontrava em Borough. Dirigimo-nos então para lá a arrastar as malas monstruosamente pesadas, as quais aumentavam de peso a cada passo que dava.

O Hostel (pousada) encontrava-se num edifício igual a todos os outros, o que é normal nesta cidade. Tinha um Pub (bar inglês) no rés-do-chão e três andares de quartos. Como prevenção fizemos uma reserva de uma semana, a qual pagámos adiantada, para um quarto de oito camas que era o menor que tinham disponível.

Não foram precisos mais de cinco minutos para nos arrepender-mos. Assim que entrámos no nosso quarto apercebemo-nos que iríamos passar a noite com cinco gajos aos quais eu insisto em chamar Hooligans. Tinham um aspecto grosseiro, alguns chegavam mesmo a ser abusivos. Eram de New Castle, e encontravam-se ali por motivos de trabalhos... as obras do outro lado da rua. Eram barulhentos e tinham o quarto infestado com um cheiro incomodativo.
Neste momento, a ideia de uma noite bem passada estava completamente fora de questão. Tenho a certeza de que a Andreia pensou o mesmo devido a algumas trocas de olhares que fizemos. No entanto, a opinião que ela formou destes companheiros de quarto foi um pouco diferente da minha, considerou-os simpáticos.

Um dos nosso "simpaticos" companheiros de quarto

Decidimos rapidamente pedir na recepção para nos mudarem de quarto. O que foi o melhor que podia-mos ter feito. A companhia do novo quarto era bem mais reconfortante.
Conhece-mos um rapaz americano, gordinho, simpático e cómico. Contou-nos que estava de passagem por uma noite, pois no dia seguinte partia para a Índia onde ia ao casamento de um amigo.
Conhecemos, também, outro room made que chegou, apresentou-se como Murray e pouco depois deitou-se.
Temos também um companheiro de quarto mistério. Entrou a meio da noite e sai cedo, não sabemos quem é mas alguém dormiu naquela cama.

Esta foi uma noite fácil de adormecer devido ao cansaço. Nem o facto dos lençóis terem um aspecto sujo mesmo depois de lavados nos impediu de dormir.